terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Eterno Presidente da FIFA

Como citei no post inicial aqui do blog, a idéia de escrever veio de um programa que vi hoje de manhã. Era a estréia do programa Histórias, com apresentação do Galvão Bueno e o entrevistado foi João Havelange.


Estava meio sonolento ainda quando comecei a assistir, mas confesso que fiquei cada vez mais interessado na entrevista (nunca lamentei o término de um programa do Galvão).


Havelange, hoje Presidente de Honra da FIFA, falou um pouco de sua história, quando ainda criança nadava no Fluminense e posteriormente participou da equipe de pólo-aquático do Brasil nas Olimpíadas de Helsinque, em 1956.


Um dos momentos da entrevista que mais fiquei impressionado foi quando ele falou da Copa do Mundo na Inglaterra, em 1966. Ele era presidente da CBD (atual CBF) e foi responsável por escolher o hotel da seleção, avisar horário de chegada da seleção no país entre outras coisas. Quando chegaram, não havia ônibus para a delegação e tiveram que esperar por 2 horas. No hotel, ao verificar o local para treinos, o capim atingia meio metro e tiveram que treinar num canto do hotel. Na 1ª fase, o Brasil enfrentou Portugal, Hungria e Bulgária. Dos nove árbitros (três juízes e seis bandeirinhas) dos jogos dos brasileiros, sete eram ingleses e dois eram alemães. Eliminar o Brasil seria a única chance de a Inglaterra ser campeã em casa. Deu no que deu...


Alguns anos depois, venceu a eleição para presidente da FIFA, derrotando o então presidente inglês que “armou” para a Inglaterra vencer a Copa de 1966 . Aquela eleição teve um fato curioso: o presidente da Adidas, Horst Dassler, financiou toda a campanha do adversário de Havelange na eleição. Com a vitória do brasileiro, Dassler mudou de lado e a Adidas passou a ser a grande parceira da FIFA. Sobre a eleição, Havelange venceu com apoio massivo da África e Ásia, países sem expressão no futebol e talvez menos favorecidos (dá até para traçar um paralelo com a eleição do Lula no país).


Durante os 24 anos que ficou como presidente da FIFA visitou todas as nações associadas a FIFA (total de 187) pelo menos três vezes, exceto no caso do Afeganistão, onde nunca foi e nem pôde ir. Tem quase 20.000 horas de avião, já teve 39 passaportes e recebeu do ex-presidente João Figueiredo o passaporte diplomático, dita por Havelange como “única gentileza recebida pelo presidente de seu país”.


Diversas outras histórias foram contadas, entre elas sobre o caixa que havia na FIFA quando ele começou que era de US$ 20,00 e que deixou com US$ 4 bilhões quando saiu da presidência. Foi o responsável por transformar o futebol no business que é hoje, deu voz a todas as confederações de futebol do mundo, elegeu o seu ex-secretário e atual presidente da FIFA Joseph 'Sepp' Blatter como seu braço direito e responsável por todo o sucesso de sua gestão e terá seu maior sonho realizado ano que vem, que será a Copa do Mundo em um país africano.


Gostaria que todos tivessem a oportunidade de ver essa entrevista. Achei bem interessante e conheci a história de uma pessoa que eu, mesmo com seis anos de idade, gloriava sem conhecer. Gloriava pelo seguinte fato: Na minha formatura da alfabetização em 1994, tinha um determinado momento em que os formandos falavam o que gostariam de ser quando crescer. Todos da turma diziam atriz, médico, jogador de futebol... Na minha vez, justo o último aluno a se apresentar e para surpresa de todos, disse que gostaria de ser Presidente da FIFA! Todos riram, é claro. Mas se vissem o programa que vi hoje, entenderiam a resposta daquela criança.


Se me perguntassem hoje se eu tenho um ídolo no futebol, diria Jean-Marie Faustin Goedefroid de Havelange, mais conhecido como João Havelange.


Ahh e quem puder me propiciar um encontro com o Havelange, agradeço!


Clique aqui para ter acesso aos videos da entrevista.
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